A preservação da Mata Atlântica é fundamental a maioria população brasileira. É dentro de suas fronteiras e arredores que 123 milhões de pessoas vivem e dependem da preservação da vegetação nativa. Apesar da sua importância, não recebe a devida atenção dos cidadãos e do poder público. A Mata sofre grande pressão sobre a biodiversidade e os recursos hídricos, que já enfrentam problemas de desperdício, desmatamento e poluição.
Da vegetação original da Mata Atlântica, que ocupava uma área de 1.360.000 km2, restam hoje apenas 7% – uma das florestas tropicais mais devastadas e ameaçadas do mundo, perdendo apenas para as florestas da ilha de Madagascar, na África, mas ainda é uma das regiões mais ricas do planeta em diversidade biológica. A mata possui uma variedade de plantas e de vida animal incomparável no planeta. Das mais de 20 mil espécies de plantas que ocorrem ali, 8 mil não são encontradas em nenhuma outra parte do mundo. Este é o hábitat de mais de 1.000 espécies de aves, 372 de anfíbios, 350 de peixes, 197 de répteis e 270 de mamíferos. Vale destacar que nela estão sete das nove maiores bacias hidrográficas brasileiras.
Segundo o professor de biologia da Unilasalle e membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Canoas, Eduardo Forneck, determinar as causas do desmatamento como um todo é bastante complexo, devido à grande extensão da mata, que vai desde o Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte. Porém, algumas causas podem ser consideradas como as principais. No Rio Grande do Sul, as vilãs são as plantações pinho, para a indústria de móveis, as plantações de arroz, soja, e, mais recentemente, eucalipto, para a produção de celulose, além da expansão de condomínios de luxo em áreas permanente de preservação ambiental.
A mata atlântica brasileira perdeu 102,9 mil hectares entre 2005 e 2008, de acordo com o Atlas de Remanescentes Florestais da Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O ritmo do desmatamento se manteve em comparação com os dados de 2000 a 2005. Já o Rio Grande do Sul aumentou a taxa de desmatamento anual: desflorestou 83% a mais. O Estado possuía 48% do seu território (ou 13.759.380 hectares) no Bioma, e hoje restam apenas 7,31% (1.006.247 hectares).
O desmatamento tem consequências diretas na vida da população. Entre elas estão o aumento das enchentes, desabamentos e perda da qualidade climática local – já que as áreas verdes regulam a umidade e a temperatura. Além disso, o professor comenta que quanto mais a vegetação é substituída por construções, menor a sensibilização da população em relação aos problemas ambientais. “Já foi constatado através de estudos que pessoas que vivem em áreas menos verdes são menos felizes e que se importam menos com o meio ambiente. Então quanto mais desmatamento, menor a conscientização da população”.
Para reverter esse quadro, Forneck recomenda, principalmente, que a população busque informações em meios de comunicação alternativos, como sites de ONGs que trabalhem pelo meio ambiente. “A melhor arma é a informação. Muitas vezes os grandes jornais deixam de publicar informações de interesse público em relação a causas ambientais por interesse de empresas patrocinadoras. É muito importante que as pessoas deixem um pouco de lado a novela e procurem coisas que façam diferença em suas vidas. Tendo as informações, devem participar dos espaços públicos de discussão, pressionar o Ministério Público e comparecer às audiências nas quais são definidas as concessões ambientais”. Fora isso, o especialista recomenda o plantio de árvores e o consumo consciente – diminuir o uso de sacolas plásticas, dar preferência a produtos produzidos próximos da região, evitando, assim, o gasto energético com transporte de mercadorias.
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