Em setembro de 2008 foi sancionada a Lei Municipal que determina o fim da circulação de carroçasem Porto Alegreaté 2016. O objetivo é que em 2014, quando a Capital sediará jogos da Copa do Mundo, já não haja carroças nas ruas. Porém, a questão não se resume apenas em proibir os carroceiros de circularem pela cidade. Cerca de oito mil carroças circulam diariamenteem Porto Alegre, totalizando assim, 50 mil pessoas vivendo da reciclagem. Diariamente são produzidas 200 mil toneladas de lixo reciclável, das quais 130 mil são recolhidas por carroceiros e carrinheiros.
Apesar de prestar um serviço informal de coleta de lixo, os carroceiros causam polêmica, principalmente entre os protetores dos animais, que protestam contra os maus-tratos impostos aos cavalos. Outro ponto que causou preocupação foi uma emenda de última hora do vereador Beto Moesch (PP) que incluiu na lei a eliminação dos veículos de tração humana com objetivo de incluir também os chamados carrinheiros. Conforme Alex Cardoso, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável, a medida com a emenda pode afetar mais de 80 mil catadores, com e sem cavalo. A votação na Câmara dos Vereadores foi uma das mais tumultuadas já vistas. As galerias foram lotadas por representantes de associações de defesa dos animais, moradores da Capital e representantes dos carroceiros e recicladores, o que mostra que a questão é polêmica e que a solução não será simples.
A lei prevê a retirada gradual das carroças e o treinamento das pessoas que trabalham com estes veículos para realizar outras atividades produtivas. O objetivo é colocar os carroceiros na separação e reciclagem do lixo em espaços próprios, chamados Unidades de Triagem. Para isso, foi criado, na Secretaria Municipal de Governança, um Comitê responsável por cadastrar carroças, carrinhos, cavalos e pessoas que trabalham com esses veículos. O cadastro ainda não foi iniciado e, com isso, diversas etapas precisam esperar pelos dados para terem início. Antes da lei existiam 16 Unidades de Triagem, onde resíduos são separados por trabalhadores formalmente organizados em associações e/ou cooperativas. Além disso, segundo o Secretário Adjunto da Coordenação de Políticas e Governança, Luciano Marco Antonio, a coleta seletiva deverá ser ampliada para aumentar a renda na triagem. Como forma de iniciar o processo de transferência dessa mão de obra, foram inauguradas um nova unidade e outras duas iniciarão as atividades no primeiro trimestre de 2011. Além disso, a intenção é levar esses trabalhadores para outras áreas, como o turismo e a construção civil. A previsão é de que os cursos iniciem em 2011.
